As exportações de vinho português para Angola cresceram 20% em valor em 2025, em contraciclo com a queda registada nos mercados mundiais, revelou hoje Frederico Falcão, presidente da ViniPortugal.
Os números foram divulgados na véspera do Festival Vinhos de Portugal, que decorre amanhã na capital angolana, Luanda, que vai receber a maior edição de sempre do evento, com 51 produtores presentes.
Em termos absolutos, Angola importou no ano passado cerca de 54 milhões de euros em vinho português, num total de 40 milhões de litros — o maior volume de todos os mercados de exportação portugueses e o quinto lugar em valor, atrás de França, Estados Unidos, Brasil e Reino Unido.
“Angola já foi o nosso maior mercado, depois caiu, mas nos dois últimos anos tem vindo a crescer”, disse o responsável, notando que o país terminou 2025 em primeiro lugar em termos de volume exportado.
O crescimento contrasta com a tendência global, já que Portugal registou, no ano passado, uma queda de 1% nas exportações de vinho para o mundo, enquanto outros países produtores recuaram de forma ainda mais acentuada, pelo que Angola foi uma excepção.
A estabilização do kwanza é apontada como uma das possíveis explicações: “Esta estabilidade cambial, e alguma melhoria da economia, também ajuda no consumo de vinho”, disse Frederico Falcão, acrescentando que o vinho, não sendo um bem essencial, é particularmente sensível a contextos de turbulência económica.
“Começou com a covid, depois vieram as guerras da Ucrânia e agora também do Médio Oriente — todo este clima de instabilidade económica afecta muito o consumo de vinho. Angola tem estado um pouco mais estável nesse aspecto”, sublinhou.
A posição do vinho português no mercado angolano continua a ser dominante: com uma quota de 88%, é o país com maior presença relativa face aos mercados de exportação — no Brasil a quota portuguesa ronda os 16% e na Polónia os 10%.
A África do Sul aparece em segundo lugar no ‘ranking’ de vinhos consumidos em Angola, seguida de França, Espanha e Itália, com quotas significativamente inferiores.
“Em nenhum país temos uma quota tão grande”, salientou o presidente da ViniPortuhal, atribuindo a liderança não apenas à ligação histórica e emocional entre os dois países, mas também ao trabalho continuado de promoção desenvolvido pela ViniPortugal, pelos produtores e pelas comissões vitivinícolas presentes no mercado.
Apesar do crescimento, o potencial do mercado está longe de esgotado. O consumo ‘per capita’ em Angola situa-se nos 1,5 litros anuais, bem distante dos 62 litros em Portugal, ou seja um total de 0,3 milhões de hectolitros por ano, contra 5,6 milhões em Portugal, uma diferença que pode ser uma oportunidade.
“Há muito consumidor para conquistar, para trazer para o mundo dos vinhos”, defendeu Frederico Falcão, acrescentando que o objetivo não é apenas ganhar quota aos concorrentes, mas estimular o crescimento do consumo total no país.
É a este desafio que a ViniPortugal procura responder com festivais como o da próxima quinta-feira, que inclui uma prova exclusiva para profissionais do setor — importadores, distribuidores, ‘sommeliers’ e operadores do canal Horeca (hotéis, restaurantes e cafés) — e uma sessão aberta ao público entre as 18:00 e as 21:00.
O programa contempla ainda uma demonstração culinária ao vivo (‘showcooking’) a cargo dos chefs angolanos Helt Araújo e Elisabeth Martins, explorando harmonizações entre a gastronomia angolana e os vinhos portugueses.
O consumidor angolano, essencialmente conservador, bebe sobretudo vinho tinto, com o Alentejo e o Douro a dominarem as preferências, embora todas as regiões vitivinícolas portuguesas estejam a reforçar a aposta em Angola, estando representadas na edição deste ano do festival.
A ViniPortugal é a associação interprofissional do setor vitivinícola português responsável pela promoção dos vinhos e espirituosas de Portugal nos mercados externos sob a marca Vinhos de Portugal.

